segunda-feira, 11 de maio de 2009

Conversa com o poeta

a estrela degas

Eu perguntara ao poeta como esquecer um grande amor
Ele fitou meus olhos, sorriu e disse

O que temes que venha a ocorrer se a lembrança insistir em ficar?

Eu ei de viver momentos entre o precipício e a morte
Entre o nada e a dor que não passa
Guardarei os retratos, ouvirei as mesmas músicas
Farei todos os dias a mesma viagem
De regresso a cidade onde deixei anoitecer a vida
Avesso ao tempo, entre ruínas do passado e o que ficou no presente
Irei ao encontro do meu amor
Que habita meus sonhos...

O poeta abre um sorriso e diz com a voz embargada de emoção

A água da nascente de um rio viaja quilômetros ao encontro do seu destino
Não hesita um segundo sequer em transpor pedras e abismos
Não teme obstáculos para encontrar o oceano
Chegando ao seu destino ele se entrega ao amado...
Por alguns momentos o mar deixa de ser mar
O rio deixa de ser rio
Mas o inevitável ocorre pouco a pouco
A água do mar, mais caudalosa predomina
Mas o rio, incansável, continua enviando suas águas para o mar...