sábado, 9 de janeiro de 2010

poema publicado na antologia " Sociedade dos poetas vivos"

Em sintonia

Descrever um olhar é difícil
Imagine então dois

Em sintonia
Impossível decifrar...

Faltarão as palavras...

Dirão que é paixão...
E Mesmo sem entender
o coração falará que é amor
simplesmente, amor

Não é loucura,
é sonho
é vida que não quer passar

O tempo é fugaz
E incerta a vida
Então decidi ficar
E acreditar que entendo tudo
nesse olhar...

poema publicado na antologia " Sociedade dos poetas vivos"



Diva

Ao ouvir o timbre da sua voz
Dissolveu-se qualquer engano...
Convertestes o nada
O vazio e o silêncio
Em um harmonioso arpejo
De sons e de luz

Notas delicadas
semeadas ao vento
que alcança o coração
numa eclipse momentânea
da razão e o juízo

é o exercício do verbo em sua boca
que transcende,
sorve a atenção
e torna serena
a alma

Nessa aurora de emoção
Meu ser outrora pálido
Agora acende um canto
Embalado por gritos de “bravo”
Vindos da platéia em êxtase...

Quero ancorar o meu ”barco”
Na lúdica imagem do teu corpo (penso!)
Uma silhueta perfeita
Cingida de raios ao céu...
Brilhante como o mais fino cristal

És um Ser iluminado
Sou seu fã
Guarde esse poema
Pois ele declara
amor a nada
amor a tudo
amor por você...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Conversa com o poeta

a estrela degas

Eu perguntara ao poeta como esquecer um grande amor
Ele fitou meus olhos, sorriu e disse

O que temes que venha a ocorrer se a lembrança insistir em ficar?

Eu ei de viver momentos entre o precipício e a morte
Entre o nada e a dor que não passa
Guardarei os retratos, ouvirei as mesmas músicas
Farei todos os dias a mesma viagem
De regresso a cidade onde deixei anoitecer a vida
Avesso ao tempo, entre ruínas do passado e o que ficou no presente
Irei ao encontro do meu amor
Que habita meus sonhos...

O poeta abre um sorriso e diz com a voz embargada de emoção

A água da nascente de um rio viaja quilômetros ao encontro do seu destino
Não hesita um segundo sequer em transpor pedras e abismos
Não teme obstáculos para encontrar o oceano
Chegando ao seu destino ele se entrega ao amado...
Por alguns momentos o mar deixa de ser mar
O rio deixa de ser rio
Mas o inevitável ocorre pouco a pouco
A água do mar, mais caudalosa predomina
Mas o rio, incansável, continua enviando suas águas para o mar...

segunda-feira, 2 de março de 2009

A Mulher

before the war by charles courtney curran


A Mulher

Meus sentidos concordam
Em lhe dizer...
Que diferentemente da estética
Sua beleza,
É a pura manifestação do Belo

Não depende do sentimento
do pensamento humano
Sua beleza não é só um rosto,
Um privilegio de poucas talvez

Tens a graça no andar
Generosidade, doçura
Sensibilidade...
És fiel

Frutos do dom feminino do amor!

Tens no toque das mãos
O poder curativo
E de tudo embelezar...

Graça e beleza vejo em ti, mulher
Tu que és a estrela cintilante
No infinito do cosmo
Um Deus-mãe

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O paraíso possível




Memórias em silêncio


ladeada de paisagens
onde esqueço o tempo



O aroma das flores inspira
o espírito a vigiar comigo


Com a experiência do novo
destituo o tédio



Não, não sou
só mais um a assumir o monólogo
do previsível e da lógica...



Sou o ator principal
da minha existência
e faço do meu céu
o paraíso possível

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Paz para o mundo! Essa é a minha oração!

Chagal


Minha religião não é
o que nos fez ficar
a margem do sonho
Não, não é...

Não são as vestes,
nem palavras
Que teimam em convencer
almas

Não é luz infinita
que não admite as trevas...
Não é cheiro de incenso
A cruz no teu peito
Feridas, signos,
Não, não é o perfeito.

Não são os versos
que pouco compreendo
Que falam do amor
sem nunca ter explicado o ódio

Não é esse deixar ficar, compreensivo
Essa força que sufoca o grito
Esse deserto que traz nos braços
Uma luz que se ascende só para poucos...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Contemplação

" A contemplação da mãe e a criança" by William Adolphe Bouguereau


A vida custava a passar quando eu era criança

Já adulto tornei-me impaciente

e enjoava logo das coisas...

Hoje sou um ancião,

enxergo bem menos, é verdade!

Mas o espírito revela coisas

que antes não percebia...

Ler bons livros,

viajar, conhecer novos lugares,

ver menos TV,

brincar mais com os filhos,

Achar mais graça em tudo...

como se fosse a minha primeira experiência...