terça-feira, 2 de junho de 2009

Minha religião




Minha religião não é
O que fingimos ser
Tão pouco a ilusão do paraíso

Não são vestes,
Nem essas palavras
Que teimam em convencer
nossas almas
que a luz
não deve admitir sombras

minha religião não é
uma aurora indecisa,
um coração que canta vazio
versos sem sentido
que a coração não
reconhece se é amor
ou ilusão

minha religião não é
cheiro de incenso a minha volta
a cruz no teu peito
feridas, signos, estrela guia
não é o perfeito

não é essa língua que descreve o amor
sem nunca ter entendido o ódio

não é o que nos fez ficar
a margem do sonho
não, não é...

Lá no fundo,
Esse espelho tudo imita
Nos confunde

Não é um oceano arranjado,
Nem uma teia sem sentido
versos que mal reconheço
um sorriso que embarga as lágrimas

não não é
esse deixar ficar, compreensivo
a despedia da carne
essa força que sufoca o grito
que faz o amor demorar.

Não, não é
deserto que traz nos braços
uma luz que se ascende para alguns
essa exatidão de fragmentos
e de iniciais
essa luta na madrugada sem luar
que não se distingue quem se enfrentam

não é essa elipse despedaçada
de uma travessia insólita

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Conversa com o poeta

a estrela degas

Eu perguntara ao poeta como esquecer um grande amor
Ele fitou meus olhos, sorriu e disse

O que temes que venha a ocorrer se a lembrança insistir em ficar?

Eu ei de viver momentos entre o precipício e a morte
Entre o nada e a dor que não passa
Guardarei os retratos, ouvirei as mesmas músicas
Farei todos os dias a mesma viagem
De regresso a cidade onde deixei anoitecer a vida
Avesso ao tempo, entre ruínas do passado e o que ficou no presente
Irei ao encontro do meu amor
Que habita meus sonhos...

O poeta abre um sorriso e diz com a voz embargada de emoção

A água da nascente de um rio viaja quilômetros ao encontro do seu destino
Não hesita um segundo sequer em transpor pedras e abismos
Não teme obstáculos para encontrar o oceano
Chegando ao seu destino ele se entrega ao amado...
Por alguns momentos o mar deixa de ser mar
O rio deixa de ser rio
Mas o inevitável ocorre pouco a pouco
A água do mar, mais caudalosa predomina
Mas o rio, incansável, continua enviando suas águas para o mar...

segunda-feira, 2 de março de 2009

A Mulher

before the war by charles courtney curran


A Mulher

Meus sentidos concordam
Em lhe dizer...
Que diferentemente da estética
Sua beleza,
É a pura manifestação do Belo

Não depende do sentimento
do pensamento humano
Sua beleza não é só um rosto,
Um privilegio de poucas talvez

Tens a graça no andar
Generosidade, doçura
Sensibilidade...
És fiel

Frutos do dom feminino do amor!

Tens no toque das mãos
O poder curativo
E de tudo embelezar...

Graça e beleza vejo em ti, mulher
Tu que és a estrela cintilante
No infinito do cosmo
Um Deus-mãe

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O paraíso possível




Memórias em silêncio


ladeada de paisagens
onde esqueço o tempo



O aroma das flores inspira
o espírito a vigiar comigo


Com a experiência do novo
destituo o tédio



Não, não sou
só mais um a assumir o monólogo
do previsível e da lógica...



Sou o ator principal
da minha existência
e faço do meu céu
o paraíso possível

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Paz para o mundo! Essa é a minha oração!

Chagal


Minha religião não é
o que nos fez ficar
a margem do sonho
Não, não é...

Não são as vestes,
nem palavras
Que teimam em convencer
almas

Não é luz infinita
que não admite as trevas...
Não é cheiro de incenso
A cruz no teu peito
Feridas, signos,
Não, não é o perfeito.

Não são os versos
que pouco compreendo
Que falam do amor
sem nunca ter explicado o ódio

Não é esse deixar ficar, compreensivo
Essa força que sufoca o grito
Esse deserto que traz nos braços
Uma luz que se ascende só para poucos...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Contemplação

" A contemplação da mãe e a criança" by William Adolphe Bouguereau


A vida custava a passar quando eu era criança

Já adulto tornei-me impaciente

e enjoava logo das coisas...

Hoje sou um ancião,

enxergo bem menos, é verdade!

Mas o espírito revela coisas

que antes não percebia...

Ler bons livros,

viajar, conhecer novos lugares,

ver menos TV,

brincar mais com os filhos,

Achar mais graça em tudo...

como se fosse a minha primeira experiência...


quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quebra Cabeças

Marc Chagall "the three candles"



Centenas de peças a minha frente...
Deitadas, descansam sobre a pedra fria.
Espalhadas,numa desordem confusa
nada parecem significar...

São estéreis
Precisam umas das outras
para que ganhem identidade
e faça sentido existir...

Geradas de uma divisão calculada,
desejam buscar uma sociedade...
Clamam por alguém que as movam
Que as organizem...

Não! Não baste apenas aproximá-las - penso eu.
É essencial encontrar a lógica
Enxergar o todo!
Imaginar a catedral
sem mesmo ela existir...

Cada fragmento desse jogo eu sei,
Guarda um segredo
E o tempo, aliado nessa hora...
Faz de mim um “viajante”
Que aos poucos vai reconhecendo o caminho
De uma rica jornada
Em busca de si mesmo