
Minha religião não é
O que fingimos ser
Tão pouco a ilusão do paraíso
Não são vestes,
Nem essas palavras
Que teimam em convencer
nossas almas
que a luz
não deve admitir sombras
minha religião não é
uma aurora indecisa,
um coração que canta vazio
versos sem sentido
que a coração não
reconhece se é amor
ou ilusão
minha religião não é
cheiro de incenso a minha volta
a cruz no teu peito
feridas, signos, estrela guia
não é o perfeito
não é essa língua que descreve o amor
sem nunca ter entendido o ódio
não é o que nos fez ficar
a margem do sonho
não, não é...
Lá no fundo,
Esse espelho tudo imita
Nos confunde
Não é um oceano arranjado,
Nem uma teia sem sentido
versos que mal reconheço
um sorriso que embarga as lágrimas
não não é
esse deixar ficar, compreensivo
a despedia da carne
essa força que sufoca o grito
que faz o amor demorar.
Não, não é
deserto que traz nos braços
uma luz que se ascende para alguns
essa exatidão de fragmentos
e de iniciais
essa luta na madrugada sem luar
que não se distingue quem se enfrentam
não é essa elipse despedaçada
de uma travessia insólita







